MATÉRIA TÉCNICA: Sondagem e projetos complementares, qual a importância? – Artigo de Gisele Bracale

*Gisele Sartori Bracale

Não é normal ouvir nossos colegas falarem sobre projetos complementares, pois eles só são levados em conta para grandes obras. Fato é que, embora muito importante para qualquer obra, na maioria das vezes eles são desprezados. Vamos ver qual a importância deles?

Mas antes de entrarmos no assunto, quero abordar dois serviços de extrema importância, o levantamento planialtimétrico do terreno e a sondagem.

Existem três tipos de levantamentos topográficos que podem ser utilizados para a medição dos elementos e características de um terreno: o planimétrico, o altimétrico e o planialtimétrico. O primeiro se refere às medidas em um plano, enquanto o segundo levanta medidas na vertical. A união desses dois resulta no levantamento planialtimétrico, método que permite mapeamento mais completo.
O levantamento planialtimétrico é o que vai delimitar o espaço de uma área para a correta definição do terreno e gerar as curvas de nível. Com o planialtimétrico em mãos fica fácil definir as divisas e os níveis da obra. Com o planialtimétrico o profissional responsável pelo projeto arquitetônico pode iniciar o seu trabalho sem o risco de projetar e depois ver que o terreno é menor que a escritura e ter que adaptar novamente.

E mais importante que o planialtimétrico é a sondagem.

Sondagem SPT, também conhecido como sondagem à percussão ou sondagem de simples reconhecimento, é um processo de exploração e reconhecimento do solo, usado normalmente para solos granulares, solos coesivos e rochas brandas; largamente utilizado na engenharia civil para se obter subsídios que irão definir o tipo e o dimensionamento das fundações que servirão de base para uma edificação. A sigla SPT tem origem no inglês (standard penetration test) e significa ensaio de penetração padrão.

Mas vamos entender como é realizada uma sondagem.

O primeiro metro a ser estudado é aberto com um trado manual, após isso é usado o amostrador e o trépano alternadamente. O amostrador é um instrumento cilíndrico e oco que coleta as amostras por cravação no solo e fornece o índice NSPT.

 

Esse equipamento precisa penetrar no solo a uma profundidade de 45cm, divididos em 3 trechos consecutivos de 15 cm, quando são registrados o número de golpes necessários à penetração do amostrador em cada um desses trechos, até, ao se atingir 45cm, a amostra ser retirada para análise.
O número de batidas necessárias para que o amostrador penetre os últimos 30cm no trecho é o que chamados de NSPT, índice de resistência à penetração.

 

Essa escavação é normatizada pela ABNT NBR 6484/2020 – Solo – Sondagem de simples reconhecimento com SPT – Método de ensaio e é feita por um peso de 65 kg levantado a uma altura de 75 cm e solto em queda livre a cada batida.

 

O resultado do ensaio SPT é apresentado no gráfico que chamamos de perfil geotécnico, geralmente na escala de 1:100, que é feito individualmente para cada furo.

O perfil geotécnico deve vir acompanhado da planta de situação dos furos para uma melhor interpretação.

De forma resumida, o resultado final de uma sondagem à percussão deverá conter os seguintes itens:
• Planta de situação dos furos;
• Perfil geológico de cada sondagem com as cotas de onde foram retiradas as amostras;
• Classificação das diversas camadas e os ensaios que as permitiram classificar;
• Níveis dos terrenos e dos diversos lençóis d’água, com a indicação das respectivas pressões.

 

O perfil geotécnico é um gráfico munido de várias informações, divididas em colunas que estão em função da profundidade do solo.

A primeira parte do perfil contém as informações sobre o índice de resistência à penetração do solo, o NSPT, em função da profundidade.

A segunda parte consta os resultados propriamente ditos, que são os seguintes:
• Nível a que se encontra o lençol freático;
• Classe geológica;
• Perfil geológico;
• Profundidade a que se encontra as diferentes camadas presentes na amostra do terreno;
• Classificação do material presente nas camadas.
Todavia, caso não se tenha informações sobre a classificação do material presente nas camadas, apenas de posse do índice NSPT é possível fazer uma interpretação das condições do solo.

 

Agora que sabemos o que é uma sondagem, podemos ver qual a sua importância em uma obra, afinal, na ausência da sondagem o profissional não tem subsídios para determinar a fundação correta para obra. Aí são dois caminhos, ou a opção é pelo exagero, porque o profissional quer evitar riscos para si próprio e para o cliente, ou os mais corajosos optam por economizar tanto que acabam dando muitas dores de cabeça para os futuros moradores, como o surgimento de fissuras, trincas, consequentes infiltrações e por aí vai.

O terreno em Araçatuba tem algumas variações, mas na sua maioria é colapsível o que pode trazer sérios danos ao imóvel, devemos seguir o que preconiza NBR 6122/2019 – Projeto e execução de fundações. Ela é uma norma regulamentadora de projetos e execução de fundações de qualquer tipo de estrutura especificada como convencional na Engenharia Civil.

Após definida a fundação, a base de qualquer tipo de construção, vamos voltar ao assunto Projetos Complementares.

O que são projetos complementares? São projetos técnicos que se integram ao projeto arquitetônico e que o completam.

Nos projetos complementares, todos os elementos são previamente dimensionados, especificados e compatibilizados, para que se possa analisar e solucionar todas as interferências antes do início da obra.
Mas vamos pensar como um cliente: ele quer fazer uma obra e precisa economizar, faz vários orçamentos tentando obter sempre o melhor benefício pelo menor custo – sequer passa pela cabeça dele fazer um projeto complementar.

Cabe a nós, profissionais, explicar ao cliente a importância de se fazer uma obra correta, com todos os projetos complementares sendo contratados ainda na fase de estudos do projeto arquitetônico, evitando patologias futuras em sua obra.

 

São vários os projetos complementares: projeto elétrico, projeto de energia solar, projeto de energia fotovoltaica, projeto de telefonia e lógica, projeto estrutural, projeto hidráulico, projeto de impermeabilização, projeto de fachadas, projeto de climatização, projeto de segurança contra incêndio, automação, entre muitos outros.

Hoje com um projeto de automação você pode ligar o ar condicionado da sua casa pelo celular antes de chegar na residênciaa, também é possível acender a luz e abrir as cortinas, tudo pelo celular.
É claro que isto não é usual, mas já existe e temos que conhecer, afinal conhecimento nunca é demais e temos que nos manter atualizados para atender melhor aos nossos clientes.

Para executar uma obra de pequeno e médio é necessário:
1. Um profissional habilitado e registrado no Conselho.
2. Levantamento planialtimétrico do terreno
3. Projeto arquitetônico
4. Sondagem
5. Projeto de fundação
6. Projeto estrutural
7. Projeto hidráulico
8. Projeto elétrico
9. Cada um desses profissionais deve apresentar uma ART – Anotação de Responsabilidade Técnica para profissionais registrados no CREA-SP – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo, ou uma RRT – Registro de Responsabilidade Técnica, para profissionais registrados no CAU-SP – Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado de São Paulo.

 

Portanto, temos que explicar ao cliente a necessidade de se trabalhar corretamente. Não se trata de “frescura”, mas sim de atender ao cliente com respeito a ele e as normas técnicas, pois ao profissional cabe executar seu trabalho sempre dentro da melhor técnica, afinal estudamos cinco anos para oferecer sempre o melhor e continuamos sempre nos aperfeiçoando, para isto contamos com a AEAN (Associação de Engenheiros e Arquitetos da Alta Noroeste), que sempre proporciona cursos e palestras com a finalidade de manter os profissionais atualizados.

 

*Engenheira Civil Gisele Sartori Bracale – 1ª Diretora Financeira da AEAN

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