No dia 27 de março de 1965, surgia em Araçatuba a AEAN (Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Alta Noroeste). Mais do que a criação de uma associação, aquele momento marcou o início de uma trajetória construída por profissionais que compreenderam que o desenvolvimento de uma cidade passa pelo conhecimento técnico, pela união da classe e pelo compromisso com a sociedade.
Sessenta e um anos depois, essa história segue viva. Presente no crescimento urbano, nas decisões que moldaram o município e na formação de profissionais, a AEAN se consolidou como parte da própria evolução de Araçatuba e de toda a região da Alta Noroeste.
A associação nasceu da iniciativa de 15 profissionais que, diante da ausência de representação local, decidiram criar um espaço capaz de dar voz à engenharia e à arquitetura no interior. Na década de 1960, o único órgão existente era o Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), localizado na capital paulista, o que reforçava a necessidade de uma organização que representasse a realidade regional.
Assim, foram lançadas as bases de uma história construída por nomes que se tornaram referência, como Fernando Sérgio Ferraz, Valter Ishida, Alcir Carvalho Gottardi, Adalbertino Rebelo, Agnaldo Ferraz, Joaquim Albert Borges, Emil Baracat, Arlindo Ferreira Batista, Leonel Bruno, Fernando Amaral de Almeida Prado, Osvaldo Faganello, Kasuo Sakamoto, Jaime Abujamra, Paulo de Oliveira Amaral e Maria Del Carmen Benzal Ponce Ferraz.
À frente desse início esteve o engenheiro Valter Ishida, primeiro presidente da associação, que conduziu os primeiros passos de uma instituição que, com o passar dos anos, ampliaria sua atuação e se tornaria referência técnica e institucional na região.
Uma história que se constrói junto com a cidade
Ao longo das décadas, a AEAN participou de momentos decisivos para Araçatuba, contribuindo com conhecimento técnico, posicionamentos qualificados e atuação ativa em pautas estruturantes.
A associação esteve presente em discussões sobre planejamento urbano, contribuiu com diretrizes importantes para o município e participou de projetos que ajudaram a pensar a cidade de forma mais organizada e sustentável. Entre os marcos dessa trajetória estão a proposta da Vila Ferroviária, debates sobre plano diretor e zoneamento, além da mobilização regional pela duplicação da rodovia Marechal Rondon.
Outro exemplo relevante foi a elaboração de parecer técnico sobre o antigo Hospital Modelo, documento que serviu como base para decisões importantes relacionadas ao futuro da estrutura.
Essa atuação demonstra que a AEAN nunca se limitou à representatividade. Ao contrário, assumiu, ao longo do tempo, um papel ativo na construção de soluções e no diálogo entre profissionais, poder público e sociedade.
O presidente da AEAN, Marcos Wada, destaca que “ao longo desses 61 anos, a associação construiu uma história junto com Araçatuba, participando de momentos importantes e contribuindo diretamente para o desenvolvimento da cidade com conhecimento técnico e responsabilidade”, ressaltando ainda que “os desafios atuais passam pela valorização profissional, pela formação de novas gerações e pela aproximação da engenharia e da arquitetura com a sociedade”.
Uma trajetória feita por pessoas
Mais do que sua atuação institucional, a AEAN é formada por histórias, vivências e profissionais que ajudaram a construir sua identidade ao longo do tempo.
O engenheiro eletricista José Luiz Fares, associado desde 1989, acompanhou de perto diferentes fases da associação e relembra que sua trajetória dentro da AEAN atravessa gestões, diretorias e momentos importantes, tendo atuado inclusive como presidente por três mandatos e conselheiro do CREA-SP, destacando que “ao longo desses anos, a associação passou por diversas transformações, mas uma das mais importantes foi a incorporação da AGROESP, que unificou a classe tecnológica e fortaleceu ainda mais a entidade”.
Ele também ressalta a atuação da AEAN em diferentes níveis ao afirmar que “a associação sempre teve uma participação muito ativa, com profissionais ocupando espaços importantes na administração municipal, estadual e até no sistema CONFEA, contribuindo com conhecimento técnico em diversas áreas”.
Ao refletir sobre sua trajetória, Fares resume o sentimento ao afirmar que “a AEAN representa uma história de realizações, construída por profissionais que, com esforço e dedicação, transformaram um ideal em uma associação reconhecida regional, estadual e nacionalmente”.
Já o arquiteto Tiuiti Maeoka, associado desde 1983, relembra que seu ingresso na associação aconteceu por influência familiar e pelo desejo de integração com outros profissionais, destacando que “desde o início, a AEAN sempre foi um espaço de convivência, troca e participação ativa nas atividades promovidas”.
Ele acompanhou momentos importantes, como a mudança da sede e o fortalecimento da estrutura da associação, ressaltando que “a AEAN sempre mobilizou os associados para construir um espaço onde cursos, reuniões, atividades esportivas e eventos pudessem acontecer, criando um ambiente de união que permanece até hoje”.
Maeoka também destaca que a contribuição da associação sempre foi intensa, não apenas em Araçatuba, mas em toda a região, e afirma que “mesmo com mudanças na estrutura das profissões ao longo dos anos, a AEAN manteve a união entre engenheiros e arquitetos, o que é algo muito significativo”.
Conexão, pertencimento e legado
Essa relação entre memória e pertencimento também aparece no relato da engenheira Gisele Sartori Bracale, primeira mulher a presidir a associação por dois mandatos, que destaca que “estar à frente da AEAN foi um momento muito significativo, não apenas pela responsabilidade, mas por representar também um avanço importante para a valorização da presença feminina na área”.
Ao relembrar sua trajetória, ela afirma que “a comemoração dos 50 anos foi um dos momentos mais marcantes, especialmente por poder estar ao lado do engenheiro Valter Ishida, primeiro presidente, e perceber o quanto aquela história continuava viva e emocionante”.
Para Gisele, a importância da associação também está na sua capacidade de acompanhar as transformações da profissão, destacando que “a AEAN sempre teve um papel fundamental na atualização dos profissionais, promovendo cursos, palestras e capacitações que refletem diretamente na qualidade do trabalho desenvolvido na cidade”.
A arquiteta Giovana Rapacci também carrega uma relação afetiva com a associação e conta que “minha ligação com a AEAN começou ainda na infância, quando meu pai me levava nas confraternizações, e eu cresci com o desejo de um dia fazer parte desse ambiente”.
Hoje, como associada, ela afirma que “a AEAN é um espaço onde os profissionais se ajudam, trocam experiências e constroem juntos soluções que impactam não só a classe, mas também a cidade”, ressaltando ainda que “a atuação vai além das questões técnicas, envolvendo ações sociais, formação contínua e conexão entre profissionais”.
União que fortalece
Ao longo de sua história, a AEAN também se consolidou como símbolo de união entre profissionais, fortalecendo vínculos e ampliando oportunidades.
Esse sentimento é traduzido pelo engenheiro Orlando Saliba, que destaca que “a AEAN representa os engenheiros e arquitetos da Alta Noroeste e é nosso dever prestigiar, porque é na união que encontramos força para avançar e contribuir cada vez mais com a sociedade”.
Um futuro que continua sendo construído
Celebrar 61 anos é reconhecer uma trajetória sólida, construída com dedicação, conhecimento e compromisso. Mas é também reafirmar um propósito que segue atual.
A AEAN continua sendo um espaço de construção. De ideias, de conexões, de soluções e de futuro. Um lugar onde tradição e inovação caminham juntas, impulsionadas por profissionais que acreditam no poder de transformar realidades.
Ao celebrar esse marco, a associação também reconhece a importância das instituições que caminham ao seu lado na valorização da engenharia e da arquitetura, agradecendo ao Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo), ao Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), à Mútua (Caixa de Assistência dos Profissionais dos Crea) e ao CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) parceiros fundamentais no fortalecimento da classe e no desenvolvimento do país.


