Celebrado em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher é mais do que uma data simbólica. É um momento de reconhecer conquistas históricas, valorizar trajetórias e refletir sobre os desafios que ainda fazem parte da realidade de muitas mulheres. Em áreas tradicionalmente ocupadas por homens, como a engenharia e a construção civil, cada avanço representa não apenas uma conquista individual, mas também um passo importante rumo a ambientes profissionais mais diversos, justos e representativos.
Em Araçatuba e região, profissionais que construíram carreiras sólidas mostram que competência, dedicação e persistência são capazes de transformar cenários e abrir caminhos para novas gerações.
Com uma trajetória de mais de 40 anos na engenharia, a engenheira Gisele Sartori Bracale, 1ª Diretora Financeira da AEAN, ocupa um lugar de destaque nessa história. Ela foi a primeira e única mulher a presidir a AEAN (Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Alta Noroeste), marco que representa não apenas uma conquista pessoal, mas também um símbolo de avanço para a participação feminina em espaços de liderança.
Ao longo de sua carreira, Gisele acompanhou as transformações do setor e também da presença feminina na profissão. Para ela, o Dia Internacional da Mulher representa o reconhecimento das conquistas construídas ao longo do tempo. “É um reconhecimento pelas conquistas das mulheres, que a cada dia vencem barreiras e conquistam seu espaço, mostrando sua capacidade e foco”, afirma.
Mesmo após décadas de atuação, ela lembra que desafios fizeram parte do caminho. Em ambientes historicamente masculinos, ainda havia quem acreditasse que a engenharia não era espaço para mulheres. “Enfrentei o preconceito de poucos colegas que ainda acreditavam que a mulher é o sexo frágil. Mas, durante esses 42 anos de profissão, tive o prazer de trabalhar com muitas pessoas que reconheceram e respeitaram minhas conquistas”, destaca.
Para ela, a presença feminina também contribui para tornar os ambientes profissionais mais equilibrados. “A mulher é muito mais focada e detalhista, e o lado emocional também ajuda a tornar o ambiente de trabalho mais saudável.”
Avanços e desafios que ainda persistem
A presença feminina nas áreas técnicas tem crescido nas últimas décadas, reflexo de mudanças culturais e do fortalecimento da participação das mulheres no mercado profissional.
A engenheira civil Bruna Cristina de Almeida, 1ª Diretora Social da AEAN, observa que, apesar dos avanços, ainda existem desafios. Segundo ela, a engenharia civil continua sendo um ambiente predominantemente masculino, o que muitas vezes exige que as profissionais reafirmem constantemente sua competência técnica. “No início da carreira, muitas mulheres ainda precisam provar sua competência com mais intensidade para conquistar credibilidade. Com o tempo, esses desafios se transformam em força, ampliando a segurança profissional e a capacidade de liderança.”, explica.
Para Bruna, o Dia Internacional da Mulher também é um momento de reafirmar a importância da igualdade de oportunidades e da valorização profissional. “É uma data que reforça o compromisso coletivo com uma sociedade mais justa e equilibrada.”
Ela também destaca que a presença feminina contribui diretamente para a qualidade das decisões dentro das organizações. “A diversidade de pensamento amplia as perspectivas e contribui para soluções mais completas e eficientes.”
Arquitetura e a presença feminina
Na arquitetura, a participação feminina já representa maioria entre os profissionais ativos no país. Dados recentes indicam que entre 62% e 64% dos arquitetos brasileiros são mulheres, o que demonstra uma mudança significativa no perfil da profissão.
Mesmo assim, segundo a arquiteta e urbanista Manuella Boreggio Costa dos Santos, 2ª Diretora Cultural da AEAN, a construção civil como um todo ainda mantém características historicamente masculinas.
Manuella destaca que sua trajetória profissional teve poucos enfrentamentos diretos de misoginia, mas quando ocorreram, foram principalmente no ambiente do canteiro de obras. “Na arquitetura, a presença feminina já é expressiva, mas a construção civil ainda é um ambiente tradicionalmente masculino”, observa.
Ela ressalta que sempre buscou afirmar sua autoridade profissional por meio da consistência do trabalho e do conhecimento técnico.
Celebração, reflexão e responsabilidade
Para Manuella, o Dia Internacional da Mulher representa um momento que reúne dois significados importantes. “Considero que esta data é um misto de celebração e reflexão. Celebração pelos esforços e pela coragem de tantas mulheres que persistiram antes de nós. E reflexão sobre o que já avançamos e os desafios que ainda temos a desbravar.”
Segundo ela, o avanço da presença feminina é visível, mas ainda há muito a evoluir. “A valorização não pode ser apenas simbólica ou quantitativa. Ela precisa ser estrutural, com igualdade salarial e maior presença feminina em cargos de decisão.”
A importância do apoio institucional
Outro fator essencial para fortalecer a participação feminina nas áreas técnicas segundo Gisele Sartori Bracale, é o apoio institucional. Ambientes que incentivam capacitação, liderança e troca de experiências contribuem diretamente para o crescimento profissional.
Nesse contexto, entidades como a AEAN com apoio do CREA-SP, promovem cursos, palestras e oportunidades de networking que fortalecem a atuação dos profissionais da área. A união e a troca de experiências são fundamentais nesse processo. “Existe uma frase que gosto muito: nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos. A união e a troca de informações são muito importantes, especialmente para nós mulheres, porque nos fazem acreditar no nosso potencial.”
Inspiração para as novas gerações
Para as profissionais que hoje trilham carreira na engenharia e na arquitetura, a mensagem para as jovens que desejam seguir esses caminhos é clara: investir em conhecimento e acreditar na própria capacidade.
“Invistam em conhecimento, desenvolvam segurança técnica e não tenham receio de ocupar seu espaço. A competência é o maior diferencial”, afirma Bruna Cristina de Almeida.
A arquiteta Manuella Boreggio reforça que a preparação é fundamental. “Se dediquem ao estudo, à capacitação técnica e nunca diminuam sua própria competência para caber em expectativas alheias.”
Já Gisele Sartori Bracale deixa um conselho baseado em décadas de experiência profissional: “Nunca desistam dos seus sonhos. Não é fácil, mas com foco, determinação e atualização constante é possível construir uma carreira sólida.”
Mais do que celebrar conquistas, o Dia Internacional da Mulher também reforça a importância de continuar avançando. Histórias como essas mostram que cada passo dado abre caminho para que mais mulheres ocupem espaços, liderem projetos e ajudem a construir um futuro cada vez mais igualitário.
A AEAN (Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Alta Noroeste) e o Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo) parabenizam todas as mulheres pelo Dia Internacional da Mulher, destacando a importância da presença feminina na construção de uma sociedade mais justa, inovadora e igualitária.

